Uma lágrima de sangue
não escorre dos olhos
mas do meio do rosto
Não te fere mais, garota.
Dá azar
se olhar nos olhos e ressentir
Cadê o brilho que cantava ainda ontem?
Quanto maior a onda,
mais fundo o sulco que segue
E dispenso agradecida
qualquer diagnóstico
O tempo é para todos
O tempo desfaz
Sempre põem a culpa no tempo
Mal do século
Mas dessa vez
Mais essa vez
Perdoa, vai.
Sinto o peso das coisas que entristecem
Alheias, entulhos e restos
Umas vontades que me alertam enganos e amarras
Armadilhas disfarçadas de sorrisos
E qualquer coisa me invade...
Não me olhe, não me atravesse
Tenho espinhos na alma
Visto aquela carapuça de animal ferido
E arranco de uma vez
A parte que não mais me cabe
e sangro
Dá um pouco de vergonha ser assim
Tão humana, imperfeita, cheia de dores
Tenho as mãos sujas do mau uso
De todas as coisas que me escapam
Quase adoeci do corpo pela via do que não foi
Dá vontade de esconder
Mas parece que cantar lamento
faz ir embora logo
Não se precipite, não se iluda
as coisas hão de chegar a tempo.
Nessas horas
ponho as feridas na barra da saia
e cuido
Trabalho longo repetir em mantra
todas as verdades adquiridas, e crer:
“Isto também passará”
Urgência de limpeza
Além da superfície
coisa forte,
coisa morte,
coisa funda essa vez
Acho que não sai com água.
23.4.09
19.4.09
De volta à estaca zero.
Dizia sabiamente o poeta,
provavelmente não lá muito feliz:
"Alegria é a prova dos nove"
Nove com zero continua nove.
E que não compensa somar em vão.
Existe um algo que é real
E que seguro na mão,
no escuro
Como amuleto na pele
O que permanece é real.
E que para tal,
se forma invisível e lento
mas tão rarefeito,
que se perderia para sempre
em meio à tantas palavras.
Então eu me calo e desaguo
no todo frágil da incerteza,
na solitude incômoda do vazio
Nada quero e tudo quero.
De fato, me ponho somente a observar.
Temo que o tempo é quem vai comigo.
provavelmente não lá muito feliz:
"Alegria é a prova dos nove"
Nove com zero continua nove.
E que não compensa somar em vão.
Existe um algo que é real
E que seguro na mão,
no escuro
Como amuleto na pele
O que permanece é real.
E que para tal,
se forma invisível e lento
mas tão rarefeito,
que se perderia para sempre
em meio à tantas palavras.
Então eu me calo e desaguo
no todo frágil da incerteza,
na solitude incômoda do vazio
Nada quero e tudo quero.
De fato, me ponho somente a observar.
Temo que o tempo é quem vai comigo.
12.4.09
crua

Te sonhei flutuando noite passada.
Prédio abandonado escuro,
e eu espiava.
E sabe do que mais?
Te via bem de longe,
e você me desapontava.
Uma vez mais.
Nada que ver com essa fraqueza
descabida de outros carnavais.
E já prevista pela repetição
Isso tudo é processo.
Vejo a beleza mais certa no escuro.
Nem me importo mais em dividir!
Acho que é o não querer saber,
porque eu sim quero.
Lhe ofertei uma bandeja recoberta de verde
e toda uma vida do que disponho.
Fiz naquela visão uma escolha,
e tantas vezes até aprender, eu disse sim.
E direi sempre que vier a mim.
Coisa que me é mais difícil.
A não-escolha é uma escolha.
E se assim for, te encontro lá no fundo.
Acabar nunca acaba,
mas não espero nem mais um minuto
porque amanhã nunca chega.
Então vou indo em frente
e se mudar de idéia
aperta o passo.
3.4.09
tempo suspenso na lente vazia
Quanto tempo leva?
...até que o objeto-ser que é posto à luz,
abstraia o olhar que incide sobre si
e mergulhe no seu próprio vazio interno?
...até que o objeto-ser que é posto à luz,
abstraia o olhar que incide sobre si
e mergulhe no seu próprio vazio interno?
fórum
Sublinhar palavras:
Eu acredito sobretudo no abstrato.
Em que
o além das coisas,
além dos olhos,
além visível,
O improvável
distancia lento do que é sólido
no processo de abstração.
A realidade,
limitação física
e perceptiva
nos mantém coesos.
Nossas limitações.
Que o resto é tão amplo
que dissipa, evapora.
Queira desculpar-me a insignificância
Que de tanto querer absurdo e ínfimo
me recolho ao possível
e retorno ao orgânico,
humano e pessoal,
íntimo compartilhado.
Uma proximidade de corpos
convivendo em harmonia.
Vibrando pulsando
Órgão
Organismo
Único.
Acordar com o sol
Dormir com a noite
Carregar apenas
a medida da força de meus braços
Não medir abraços
Que sejam longos
caminhos de terra
Lamber feridas
Reiteirar excessos e desvios
Adoçar palavras debaixo da língua
Três.
Te encontro depois da chuva.
Sim, é possível, eu disse
Oitenta e quatro mil portas
Além das quatro faces
Mundos possíveis
Outros.
Eu acredito sobretudo no abstrato.
Em que
o além das coisas,
além dos olhos,
além visível,
O improvável
distancia lento do que é sólido
no processo de abstração.
A realidade,
limitação física
e perceptiva
nos mantém coesos.
Nossas limitações.
Que o resto é tão amplo
que dissipa, evapora.
Queira desculpar-me a insignificância
Que de tanto querer absurdo e ínfimo
me recolho ao possível
e retorno ao orgânico,
humano e pessoal,
íntimo compartilhado.
Uma proximidade de corpos
convivendo em harmonia.
Vibrando pulsando
Órgão
Organismo
Único.
Acordar com o sol
Dormir com a noite
Carregar apenas
a medida da força de meus braços
Não medir abraços
Que sejam longos
caminhos de terra
Lamber feridas
Reiteirar excessos e desvios
Adoçar palavras debaixo da língua
Três.
Te encontro depois da chuva.
Sim, é possível, eu disse
Oitenta e quatro mil portas
Além das quatro faces
Mundos possíveis
Outros.
24.3.09
da chuva sobre os ombros

Estou chegando, amor
com humildade, Pai Céu.
Estou chegando, Mãe Terra
mais perto do que acredito.
Quando diz bendizer
é a força das coisas ditas.
E quanto mais ditas, mais força
Mais tempo, memórias ancestrais.
Dia desses, as águas me trouxeram de volta
um dizer que fora lançado e esquecido:
Viver a poética, eu disse.
Escolha que é lembrar a força
da propagação do que se diz,
e mais do que se É.
Estou chegando na roda agora, me acolhe?
Povo, todo, parte.
Seres que amo,
e amo a todos os seres
como parte de mim.
Eu fiz a escolha
e sinto nos pés, princípio.
Lição maior tal existência,
Amor.
Não soube amar incontáveis vezes.
Porque o que via
me torturava os olhos,
me ofuscava os sentidos
por vezes, por outras...
Porque meu peito é uma cachoeira
que fiz represar.
Me acolhe irmão, amigo
homem, pai, filho, céu, yang
Também o lado negro
Também o lado luz
Me abraça esta noite
sem que lhe precise pedir.
E perdoa?
Deixa-me chorar ombro,
peito aberto exposto.
Me veja nua, nova,
deixando brilhar amor,
deixando fluir vida.
Tantra, corpo, karma, kama.
Me olha fundo e aceita,
que lhe oferto minha luz criadora
Mãe da energia criativa,
fazendo gerar os sonhos dos homens.
Num abraço cósmico,
roda arco-íris espiral
pulsando tambor
falando baixinho:
"Nós somos um"
Pacha Mama
Madre Tierra
Mãe que acolhe útero,
alimenta o seio da terra
com teu sangue.
Luz clareza de sol pai
que cura das coisas escuras,
das partes ocultas da noite.
Invoco:
Integração
Dois lados do ser.
Mentaliza
Mantraliza:
"Nós somos um"
Afim que seja plena a entrega
à propósito do ser.
Miro aliás, que seja
Lótus, ajna, flor lilás.
do medo que tenho e do tempo que faz
Eu bem lhe queria falar
das chuvas que me recaíram sobre os ombros.
Fazendo sonora a presença sutil,
das palavras que não se fazem ouvir
e das presenças que não se fazem ver.
Mas é que lhe devo invocar
em nome do medo uma última vez,
e que ceda então lugar ao novo.
O que se deseja expresssar mais simples
através do meu corpo, lábios,
existência que se desdobra no caminhar...
A que vim ter entre vós.
Que foi também origem dos desenganos.
Do que sonhei naquela noite ao teu lado,
que me despertou todo medo
e que não soube dizer,
mas que ainda assim me veio perguntar.
Que só ousei dizer uma vez,
mas nunca ao teu ouvido.
E que temi que lhe alcançasse,
que lhe transparecesse,
e que foi todo sentido.
Será que me engano de novo?
Em confundir mensageiro e mensagem?
Se assim for, me perdoe.
Mas devo lhe falar que meu coração bate,
que é vivo e anseia cheio de amor.
Por trás destes muros verdes
de hera cultivada no abandono.
Eu sei que não é o suficiente saber,
mas quantas voltas o mundo há de completar
antes que me possa apresentar a ti e dizer:
Estou pronta.(?)
Por que nesta hora nada haverá de ser dito,
e me perguntarei porque esperei tanto tempo.
Antes nada adianta saber.
Não chego a lugar algum por aqui.
E nada disse, receio.
Teu sentido é como o meu,
exceto pelo medo.
E isso é real.
das chuvas que me recaíram sobre os ombros.
Fazendo sonora a presença sutil,
das palavras que não se fazem ouvir
e das presenças que não se fazem ver.
Mas é que lhe devo invocar
em nome do medo uma última vez,
e que ceda então lugar ao novo.
O que se deseja expresssar mais simples
através do meu corpo, lábios,
existência que se desdobra no caminhar...
A que vim ter entre vós.
Que foi também origem dos desenganos.
Do que sonhei naquela noite ao teu lado,
que me despertou todo medo
e que não soube dizer,
mas que ainda assim me veio perguntar.
Que só ousei dizer uma vez,
mas nunca ao teu ouvido.
E que temi que lhe alcançasse,
que lhe transparecesse,
e que foi todo sentido.
Será que me engano de novo?
Em confundir mensageiro e mensagem?
Se assim for, me perdoe.
Mas devo lhe falar que meu coração bate,
que é vivo e anseia cheio de amor.
Por trás destes muros verdes
de hera cultivada no abandono.
Eu sei que não é o suficiente saber,
mas quantas voltas o mundo há de completar
antes que me possa apresentar a ti e dizer:
Estou pronta.(?)
Por que nesta hora nada haverá de ser dito,
e me perguntarei porque esperei tanto tempo.
Antes nada adianta saber.
Não chego a lugar algum por aqui.
E nada disse, receio.
Teu sentido é como o meu,
exceto pelo medo.
E isso é real.
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