Eu bem lhe queria falar
das chuvas que me recaíram sobre os ombros.
Fazendo sonora a presença sutil,
das palavras que não se fazem ouvir
e das presenças que não se fazem ver.
Mas é que lhe devo invocar
em nome do medo uma última vez,
e que ceda então lugar ao novo.
O que se deseja expresssar mais simples
através do meu corpo, lábios,
existência que se desdobra no caminhar...
A que vim ter entre vós.
Que foi também origem dos desenganos.
Do que sonhei naquela noite ao teu lado,
que me despertou todo medo
e que não soube dizer,
mas que ainda assim me veio perguntar.
Que só ousei dizer uma vez,
mas nunca ao teu ouvido.
E que temi que lhe alcançasse,
que lhe transparecesse,
e que foi todo sentido.
Será que me engano de novo?
Em confundir mensageiro e mensagem?
Se assim for, me perdoe.
Mas devo lhe falar que meu coração bate,
que é vivo e anseia cheio de amor.
Por trás destes muros verdes
de hera cultivada no abandono.
Eu sei que não é o suficiente saber,
mas quantas voltas o mundo há de completar
antes que me possa apresentar a ti e dizer:
Estou pronta.(?)
Por que nesta hora nada haverá de ser dito,
e me perguntarei porque esperei tanto tempo.
Antes nada adianta saber.
Não chego a lugar algum por aqui.
E nada disse, receio.
Teu sentido é como o meu,
exceto pelo medo.
E isso é real.
24.3.09
19.2.09
povo-em-pé
Mudança
Sentamos em roda
e as nuvens escureceram.
A primeira parte: prossiga
Interrupção.
Conflito.
Espera um pouco, choveu.
Quero desaprender este lado meu que fala alto
Saber soprar verdade sem mudar o tom de voz...
Chora por mim, chuva
que é hora de ser forte,
não paro de morrer.
Dessa vez tento medir melhor as datas
Nada sei do que virá,
você pode conviver com isso?
É o fim.
Como no fim daqueles cem anos de solidão:
Cupins comeram meu armário.
No caso eram formigas,
só que formigas não comem armários,
só mordem os pés da gente.
Vorazes, penso que manifestam
tornar visível o tempo que finaliza.
Nada permanece inalterado até que enfim!
Mesmo com a televisão calada
e os móveis espalhados pelo chão.
De onde surgiram estes vinis antigos?
De acúmulos, esquecimentos e frivolidades.
Joga tudo fora, eu voto
Fora é modo de dizer, passa adiante.
E os apegos?
Mais fácil tratar dos que são visíveis
A coleção de Budas?
Paz? Silêncio?
Guarda a esperança nessa pequena caixa, por favor,
escreve FRÁGIL em cima e lacra com fita parda.
Pandora às avessas.
e as nuvens escureceram.
A primeira parte: prossiga
Interrupção.
Conflito.
Espera um pouco, choveu.
Quero desaprender este lado meu que fala alto
Saber soprar verdade sem mudar o tom de voz...
Chora por mim, chuva
que é hora de ser forte,
não paro de morrer.
Dessa vez tento medir melhor as datas
Nada sei do que virá,
você pode conviver com isso?
É o fim.
Como no fim daqueles cem anos de solidão:
Cupins comeram meu armário.
No caso eram formigas,
só que formigas não comem armários,
só mordem os pés da gente.
Vorazes, penso que manifestam
tornar visível o tempo que finaliza.
Nada permanece inalterado até que enfim!
Mesmo com a televisão calada
e os móveis espalhados pelo chão.
De onde surgiram estes vinis antigos?
De acúmulos, esquecimentos e frivolidades.
Joga tudo fora, eu voto
Fora é modo de dizer, passa adiante.
E os apegos?
Mais fácil tratar dos que são visíveis
A coleção de Budas?
Paz? Silêncio?
Guarda a esperança nessa pequena caixa, por favor,
escreve FRÁGIL em cima e lacra com fita parda.
Pandora às avessas.
20.1.09
Aconteceu desses momentos desavisados
que agente percebe tão fundo tão parte...
Existência observando estrelas
Eu bem reparei
E senti de te encontrar
pela janela da vida afora
situação adversa chuveiro
numa trilha de mato verde
em transe trânsito
vagando sorrindo
quem sabe na chuva essa vez?
Qualquer coisa nova
Qualquer coisa assim
O compartilhar
Encontros e passagens
Não fui sempre assim
Tem coisas que não sei dizer
Meus lábios secaram de simples
Você me lê?
Não fui sempre assim
Dia desses lembrei um sorriso meu
refletido em olhar alheio.
Brilhando cheio de vida.
Não fui sempre assim
Vou lá no fundo buscar de volta
Num fôlego, você me espera?
No salto, você me encontra?
Não fui sempre assim
Não sei bem de quem pra quem
E não saber me faz respirar mais fundo
Respirar mais fundo
me apaga os receios
Não fui sempre assim
Estou gerúndio.
Sendo.
Vou indo voar um pouco
Reunir em torno do futuro
abraçar meus semelhantes
comungar antepassados
Vislumbrar filhos da terra porvir
que alguma coisa me chama
e me aparece nos sonhos
sopra arrepio sutil...
Tudo mais é vago
que é de ceder espaço ao novo.
Me aponta os olhos vida, eu sigo.
Iminência.
que agente percebe tão fundo tão parte...
Existência observando estrelas
Eu bem reparei
E senti de te encontrar
pela janela da vida afora
situação adversa chuveiro
numa trilha de mato verde
em transe trânsito
vagando sorrindo
quem sabe na chuva essa vez?
Qualquer coisa nova
Qualquer coisa assim
O compartilhar
Encontros e passagens
Não fui sempre assim
Tem coisas que não sei dizer
Meus lábios secaram de simples
Você me lê?
Não fui sempre assim
Dia desses lembrei um sorriso meu
refletido em olhar alheio.
Brilhando cheio de vida.
Não fui sempre assim
Vou lá no fundo buscar de volta
Num fôlego, você me espera?
No salto, você me encontra?
Não fui sempre assim
Não sei bem de quem pra quem
E não saber me faz respirar mais fundo
Respirar mais fundo
me apaga os receios
Não fui sempre assim
Estou gerúndio.
Sendo.
Vou indo voar um pouco
Reunir em torno do futuro
abraçar meus semelhantes
comungar antepassados
Vislumbrar filhos da terra porvir
que alguma coisa me chama
e me aparece nos sonhos
sopra arrepio sutil...
Tudo mais é vago
que é de ceder espaço ao novo.
Me aponta os olhos vida, eu sigo.
Iminência.
9.1.09
montanha

Repito:
Importa antes ser
sem isso nada nunca É
Quero a beleza sábia e calma
de pés descalços na terra molhada
E brilho nos olhos
Clareza.
Luz sólida
e construção etérea
Quer dizer:
Cultivar semear,
tornar fértil e iluminada
a simples possibilidade
de vida vir a ser
Terra
Quer dizer:
Construir junto.
Cada pétala-parte
junto a parte forma flor
Coletivo-indivíduo
Quer dizer:
que formamos redes, rizomas, conexões
quando estabelecemos contato fundo,
fios invisíveis, relações
O conjunto contém o todo contido.
Conhecimento a ser reinserido
nas veias brutas dos que calam e consentem
O contra-fluxo do vazio
Transfusão
Quero agora o silêncio
Que sequer noutro tempo
Lhe permitiria tomar
inseguro e sedento
Quero leveza à propósito
Soprando à favor, cangote
vida que vai no vento
Como aquele arrepio bom
que desperta vontade de ser
Lembra aquela sede que eu tinha
Um livro que li um dia
Tempos atrás
Filme que assisti
sem tua companhia.
Pois que seria dos poetas
sem mencionar a falta?
Ausência é recorrente.
Equívoco é pretensão de certeza
Estagna.
O vazio nos move
Como pulmão que respira
Queria dizer tantos lugares
Que o que eu mais queria
me sobra sempre na garganta
Apontar o sentido que vejo por trás das cortinas
Força perturbadora do que assenta.
Que nada permaneça intocado, certo?
Mais difícil é dizer do que sinto por trás do medo.
Medo é o avesso do amor.
Mas aprendo a calar
Depois reaprendo a dizer
(Mais difícil é desaprender)
Sempre alternando
O equilíbrio pela média dos extremos
Pra não subir à cabeça
O desejo humano mente
é o que gera também conflito
Fico querendo e cavo buracos fundos
andando em círculos
alongando, estendendo
Enfadonho.
Sempre inverto aquela frase de canção poema
O medo da força que tenho
Nada é isento e tão simples
Que nem existe essa vidência mal prevista
nas interpretações do ego humano
O que existe é conectar
O que existe é relacionar
É verbo
Existe perceber semelhança,
e aí tudo é parte de um mesmo
Tenho uma falha miragem
pregada de brilho à retina
Que se confirma
mas sempre escapa e desafia
Incita crescimento
Tanto eu quis um mestre
Deparei montanha
nostalgia

Disseram que só faço te buscar
Em cada outro, outros braços, outros olhos
Você que foi a medida exata do meu abraço
E a desmedida razão e além
Vibrava tanto que escapuliu
Disseram que venho buscando há muito
Um algo não-qualquer que perdi
Talvez seja que esse desassossego
Me tenha despertado
E que não soube mais achar refúgio
Que deixei desvanecer no tempo
Aquele vestido que você gostava
Desbotou.
Mas ainda sinto o desejo incidindo
Uma imagem de memória ilusão
Me dizia da beleza de quem olha
E aos teus olhos eu era
Embora recusasse acreditar.
Seria o que quisesse
Eu que nunca fui de submissão
Mas me queria tal e qual
Então, me queria melhor
Me fazia crescer no teu solo
Que buscando, me perdi
Porque me sabia ainda mais fundo
Foi assim
não só de flores
E se é mesmo verdade o que dizem
Tenho que reinventar algumas palavras
Recolher do fundo essa pedra esquecida
Guardada à gaveta incômoda
Pedra no sapato
Que a caminhada é longa
E não quero parar
Não desistiria da busca
Por nada nem ninguém
Ao contrário do que tentaram insinuar
É por isso que sigo cantando
canção de terra chamando chuva.
pois
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