Do que sonhei recente
Nada vinha de encontro
Nem encanto, nem faz-de-conta
Nem água, nem lua
No meu conto
Fugia eu,
na crina de um cavalo branco.
Cabelos flutuando indomados
Sem sela, eu cavalgava
Nossos corpos comungavam
em perfeita sintonia
A favor do vento
No compasso embalo do tempo
Eu e o cavalo éramos um.
E tudo o mais ao redor
Tudo parte
Todo
E embora exista o vazio
Nem era a falta que a busca movia
Era excesso, transbordamento
Queria despir-me de alma
esvaziar-me, encher-me,
esvaziar-me, encher-me...
Ofegante.
Deixar tudo no encalço da brisa quente soprando norte
Como espalhando sementes no caminho percorrido
Sem ocupar-se de que venham a brotar
Como se o simples movimento tórrido e apaixonado
Pudesse mover todo o entorno
na mesma direção, em ondas expansivas
Propagando brilhos no tempo
Até as próximas sete gerações.
22.11.08
15.11.08
voltando para a terra

Lugar de poder, me concede cura
e mostra tuas quatro faces do tempo.
Ouvi o chamado da terra.
Dizia da minha presença como retorno
Água brotando do chão, escorrendo pelas fendas e vales
percorrendo as veias do solo e pulsando viva
Tornando fértil, e deixando passos de memória
Brotando possível a vida ao redor que dormia.
A roda arco-íris
Orbitando espiral, desobstruindo fluxos
do que está manifesto e do que ainda não.
E tive medo enquanto me via destemida
a aceitar o propósito que se erguia adiante
Gerar vida, como água voltando pra terra
A luz mais elevada em prisma de cores brilhantes
Paquerando o sol que me faça mulher
E me sacie o ventre de mãe que sou
E filha e neta.
Mãe da energia criativa
Água. Mãe. Vida. Ventre.
A Terra diz chorando a ingratidão dos homens
Sim, olhei a morte nos olhos
Mas é segredo, eu respondi.
Agora as vozes estão do meu lado
Basta que tenha ouvidos para ouvir
Pois falta-me ainda o silêncio do corpo
O canal se abre em púrpura.
Entre relances de vermelho ventre.
Sim, eu disse.
Vi o encontro do céu pai azul com a terra mãe
Nuvens brancas mostrando asas pelo infinito
E árvores de raízes profundas criando vínculos
Passando adiante as gerações
Onde as superfícies de orvalho
Reluzem sonhos e sons
Verdes de brilho infinito
Tambores e cantos de pássaros
Onde as cercas dissipam tua presença através
A perder de vista,
uma à uma
linhas imaginárias de espaços sagrados
pessoais e coletivos
lugares e não-lugares
Todos interligados em unidade.
Ser e vir a ser.
E ser tudo.
E ser É.
Despertei com batidas fortes de coração pulsando
De um sono profundo, habitado de sonhos reais
Como visões que tocam os olhos
e ainda assim não creio que falem futuro,
mas sempre à frente, porvir
Medos, potências e passagens
Portas em desdobramentos quânticos.
E desse jeito tudo o mais se tornou vazio.
Nuvens dissipadas como véu de água transparente
em respingos de brilhos para lavar a alma de outros tempos
Finalmente choveu um choro profundo de cura,
tal ferida antiga qual jornada de minh´alma
Como pude esquecer algo tão parte?
Algo que havia sido perdido, retorna
Agora lembrar que a linguagem
é a primeira manifestação da escolha.
Sim, eu disse.
Sou água voltando para a terra.
2.11.08
Um muro...
21.10.08
L´amour et la paix

"Gaiola? Há as feitas com ferro e cadeados.
Mas as mais sutis são feitas com desejos."
"Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou nesse mundo
para atender às suas expectativas
E você não está nesse mundo
para atender às minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos
É muito bom".
18.10.08
enfim prosa.
É possível meditar enquanto lava-se a louça.
E tal simplicidade inspirou-me a escrever em prosa.
Um retorno delicado, vou pisando com jeitinho na terra terreno arenoso escorregadio...Usar “todas as letras” é as vezes difícil.
Tenta dizer tudo e nunca chega.
Mais ainda quando ousa falar do sutil e do invisível.
Pois para tornar visível é preciso delicadeza
a não fazer desmanchar, diluir ou distorcer o que é frágil sutileza.
Nota: Esforçar-se em não alongar demais.
Voltando ao concreto mundano (tudo que move é sagrado, mesmo cotidiano, agente é que esquece), observava eu, um coador de plástico, escurecido de coar feijão. Quem coaria o feijão? Bom, existe e não vem ao caso.
O fato é que pensava na capacidade que tem a matéria de reter impressões do que lhes passa através. Por extensão de sentido, se matéria é composta de energia como tudo o mais, essa se aplica a lugares, pessoas, objetos coisas, todo visível.
Somos suscetíveis.
Um objeto que serve de filtro, evidencia como sutilezas e poeiras acumuladas de tempo e repetição podem modificar-lhe de forma permanente e visível.
Nota: Observar meia encardida.
Em ditado popular sempre se encontra sabedoria de forma simples. Tudo já foi dito. O contemporâneo é revisitar. Neste caso: “Água mole e pedra dura tanto bate até que fura.” Inclusive a meia, e aquela blusa velha que agente se apega.
É de dizer:
Quantas vezes algo precisa ser dito
até que possa ser compreendido?
A palavra falada, o pensamento proferido, a intenção semi-manifesta... Essas coisas fortalecem com o passar do tempo e da repetição.
É desta forma que nos tornamos aquilo que pensamos
(mesmo sem se dar conta: consciente 10%, inconsciente 90%)
Minha maior intriga do ser humano sempre foi a capacidade inerente de se tornar o que mais abomina.
É simples o conceito do processo: retenção
Um filho de pai autoritário pode tornar-se o mesmo.
Por tanto negar tal atitude, acaba por reproduzi-la.
Assim, por não saber do poder que tem “ uma mentira, quando dita mil vezes, de se tornar verdade”, o que fica retido se faz recorrente e se torna real, visível e palpável. Como o processo é gradativo, há quem se dê conta apenas após o fato consumado.
Nota compartilhada: Lembrar de sempre limpar bem os filtros internos de nossos fluxos de água (água = sentimento) e rever conceitos e (im)posturas sutis. Moralidades.
O restante fica no espaço vazio entre as palavras,
que sequer a prosa pode suprir.
E tal simplicidade inspirou-me a escrever em prosa.
Um retorno delicado, vou pisando com jeitinho na terra terreno arenoso escorregadio...Usar “todas as letras” é as vezes difícil.
Tenta dizer tudo e nunca chega.
Mais ainda quando ousa falar do sutil e do invisível.
Pois para tornar visível é preciso delicadeza
a não fazer desmanchar, diluir ou distorcer o que é frágil sutileza.
Nota: Esforçar-se em não alongar demais.
Voltando ao concreto mundano (tudo que move é sagrado, mesmo cotidiano, agente é que esquece), observava eu, um coador de plástico, escurecido de coar feijão. Quem coaria o feijão? Bom, existe e não vem ao caso.
O fato é que pensava na capacidade que tem a matéria de reter impressões do que lhes passa através. Por extensão de sentido, se matéria é composta de energia como tudo o mais, essa se aplica a lugares, pessoas, objetos coisas, todo visível.
Somos suscetíveis.
Um objeto que serve de filtro, evidencia como sutilezas e poeiras acumuladas de tempo e repetição podem modificar-lhe de forma permanente e visível.
Nota: Observar meia encardida.
Em ditado popular sempre se encontra sabedoria de forma simples. Tudo já foi dito. O contemporâneo é revisitar. Neste caso: “Água mole e pedra dura tanto bate até que fura.” Inclusive a meia, e aquela blusa velha que agente se apega.
É de dizer:
Quantas vezes algo precisa ser dito
até que possa ser compreendido?
A palavra falada, o pensamento proferido, a intenção semi-manifesta... Essas coisas fortalecem com o passar do tempo e da repetição.
É desta forma que nos tornamos aquilo que pensamos
(mesmo sem se dar conta: consciente 10%, inconsciente 90%)
Minha maior intriga do ser humano sempre foi a capacidade inerente de se tornar o que mais abomina.
É simples o conceito do processo: retenção
Um filho de pai autoritário pode tornar-se o mesmo.
Por tanto negar tal atitude, acaba por reproduzi-la.
Assim, por não saber do poder que tem “ uma mentira, quando dita mil vezes, de se tornar verdade”, o que fica retido se faz recorrente e se torna real, visível e palpável. Como o processo é gradativo, há quem se dê conta apenas após o fato consumado.
Nota compartilhada: Lembrar de sempre limpar bem os filtros internos de nossos fluxos de água (água = sentimento) e rever conceitos e (im)posturas sutis. Moralidades.
O restante fica no espaço vazio entre as palavras,
que sequer a prosa pode suprir.
17.10.08
um dia...
Eis que pousa, pintada aos meus pés, mariposa.
Mas pousa ao contrário, como não torna voar.
Levanto-lhe as asas em vôo assistido,
que tarda um tanto mais cessar.
Recorrente.
Ciclo que ali encerra
Mensagem soprada no vento
Quem sabe um nome, palavra-sutileza
O silêncio que precede.
Um dia perdido no tempo.
Ao alcance das mãos,
sinto pequenas porção de azedo
de brilho violeta.
Pequenos acontecimentos
se mostram aos meus olhos como indicações,
dejá-vus e pormenores.
As sutilezas guiam em direção à luz.
Mas poderiam um peixe e um pássaro
habitar o mesmo espaço?
É que algo está prestes a girar alguns graus
na direção da linha sinuosa que traço enquanto existo
e caminho.
Que são raízes?
E o que são asas?
Um palco para meus devaneios
E tudo que sinto é esconder-me.
Existe um esforço que não deveria
Esse vendaval, soprando poeira nos olhos,
empurrando a porta a bater...
Caio da cama como impelida a despertar de um ritual.
Rito de passagem.
Mas por hora, a porta permanece
aberta pelo lado de fora
Entreaberta.
Como tem de ser.
Como tende ser.
Caminhamos pelas mesmas trilhas verdes
Entre luzes e sombras
Alguns passos firmes
Alguns passos em falso
E sempre há busca, nem sempre encontro
Um raio, um espelho ou um mestre.
12.10.08
realinhar
E você?
Como sente cada dia?
Que pensa quando o sol toca teu rosto?
E a pele quando encontra outra pele?
Já ouviu o chamado do vento soprando arco-íris?
E a roda espiral, percebeste?
Então, reconhece tua incumbência?
E o que lhe cabe?
Essa energia que alimenta tudo que se move e orbita
Vibra e pulsa em tudo que capta nossos olhares
E através, nos faz lembrar dos sinais que foram deixados
Como a guiar no processo de despertar
Olhar assistido, como assistência.
Algo-parte sempre assiste, e permanece imóvel.
Alguns caminhos são atalhos, não becos sem saída.
São meios e não fins.
O que reconhece é o que fortalece.
E é de saber que há sempre escolha
Por isso também sempre, risco
O processo é de intensificação
A roda gira cada vez mais rápido
Há quem esteja aguardando
Há quem tenha desviado o rosto
Sempre existe o inacabado.
Mas agora é posto
E nada está isento.
O que nos é velado é onde nossos pés não alcançam
E que assim seja, já que assim é.
Porque cada coisa vem à seu tempo
E os tempos estão abrindo as portas
Iminência.
O sentido é realinhar
Somos pontos. Traçamos retas.
E convergimos.
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