22.7.09

processo

O corpo é do tamanho
do espaço que percorre.

De dentro para fora.
Ciclos cíclicos.
Passos marcados no chão

Fugir a ilusão
do mundo ilusão

Felicidade de plástico...

O que é essencial?
Dualidade, vida...

Mas tão inacabada!

Tudo ao redor
que é vivo e pulsa.

25.6.09

eu sou



Eu sou.
E isto leva ao ser junto
Como um chamado de força e propósito
Ritual, rito e passagem

Vem até mim,
hipnotiza meus sentidos
Há um segredo na ponta dos dedos
E lhe quero falar
Do que vi esta noite nas estrelas
Sob o teto templo
Santuário corpo
e sempre velha
Roda arco-íris

Estava lá.
Estava luz.

Ao meu lado, guerreiro-xamã
Pai e mãe.
Pé e mão
Acolhendo seres
E tomando força
nos braços, homem
nas pernas, mulher

A manifestar a vida ao redor
não-manifesta mas conectada
A manifestar a vida que lhe foi dada

Entrega tua matéria metáfora
Entrega teu corpo todo
a ser tijolo nessa construção
Mas unifica, purifica, eleva
Terra, céu, água e fogo
Raízes e asas.

Amar é aprender
Sinto a primavera fértil do corpo
Tempo de semear
Energia criativa em resoluções

Vem a meu lado
Deixa-me soprar ao pé do ouvido
Com uma só pontinha
Daquele medo
frio na barriga
Ainda antes de ser medo

Respirando fundo
À beira d´ água
A face indizível
da união que gera
Como água voltando pra terra

A luz mais elevada
em prisma de cores brilhantes

Lhe quero encontrar
no caminho sem desvios
Cada qual, cada um
E por vezes um só

Algo a ser dito
por lábios de silêncio
Olhos herdeiros do amanhã
porque vem da nação das estrelas
Cores de futuro claro

Seres de luz.

As florestas acolhem
porque são água e verde fértil.
Fartura.
Onde a vida se recria.
Onde advirá brotar

Que cheguem os que ainda tem de chegar
Sem contar os tempos
de fim e recomeço.
cantando e girando

E vamos juntos infinito.

1.6.09

seja




O que eleva?
Vibração mais alta, sutil...

Como criança brincando sorrindo
levada, chamando atenção...

Se faz belo
aos meus olhos?

Se faz feio
pelas costas.

Nada importa.
Tenho outros olhos olhares...

Lhe vejo,
tens a minha atenção.
Pois então?

...



Quando e se são nutrientes
de nossas potencialidades
sob forma de ilusão.

Permanecer então atento
ao sentido de através.

Crença e fé somente como combustíveis.
Despretensão apenas movimenta-se
tendo traçado linhas, pontos, retas e rumos internos.

Pela não-funcionalidade
como caminho sem chegada
como arte que se cria e se inventa
só para existir
irradiar e prosseguir.

Nada quer e tudo tem.

Por assim ser
que assim seja.

26.5.09

roda

Me vi do outro lado um instante
E meu sorriso multiplicava
Quem diria?
Alma risonha.
Talvez seja que através do riso
transparece a verdade face do ser.

Sentimentos deveria ser dito singular
Porque todos juntos são a mesma corrente
Oscilam, transmutam, transparecem,
escorrem, respondem, correspondem
Assim como todos nós somos um.

Alegria expande
Tristeza aprofunda
O mundo vasto que existe
Entre saber e não-saber
Guardiões das portas do inconsciente.

Esforço-me saber aonde está
e a observar estranha
ainda que por trás das lentes turvas
os teus gestos recolhidos...

Sobretudo, tudo mais importa
Ser e propósito.
Firmo horizonte na palma da mão
Fios, pedras e migalhas de pão.

Busco verdade, luz e caminho, e só
Caminho só
Aprendo a colher o que me acompanha
fazer compania dos que vem de encontro
Onde as estradas se entrecruzam
Não proponho desvios, nem sequer relance
Exceto as pausas de descanso
para abrigar das grandes chuvas porvir
E convido todo o resto
Porque meu estar
é transbordar em luz de sol
de dentro pra fora.

A roda girando anuncia.

30.4.09

ilumina



A vida lhe entregara um presente 
Além da própria vida presente 

Como resposta à sua presença. 
Florindo leveza de flores 
Cores e penas de pássaro. 

Foi retribuição 
que lhe soprou ao ouvido 
prestar-lhe serviço. 

Quando se fala dos tempos, 
do choro da Terra e de sua luz
alerta a luz que está para todos 
Leciona em grande lição 
Suspiro de perdão 

... 
Havia perdoado um abraço antes de dormir 
Havia sonhado com flores 
E logo de início o dia anunciava sutileza 
Em meio aos carros, avenida 
Um cantar de grilo 
que poucos, ou ninguém ouviu. 

E soube. 
Há de se ter olhos para ouvir sutilezas 
Que as vibrações positivas  
são menos brutas que as batidas  
fortes e agressivas do dia-a-dia 

Percebera 
que é nas sutilezas  
que se escondem as verdades do mundo. 

Levava no ventre 
o amor que coletara no vento 
e as pequenas sutilezas 
que encontrou pelo caminho 
para mostrar às suas crianças. 

Decidira lhes mostrar sobre o orgânico 
e sobre o mundo dos homens 
Decidira lhes falar de alma 
Decidira ser porta-voz da beleza das coisas de luz 
Decidira-se. 

Sentiu existência tomando conta 
adentrando cada poro da pele marcada 
cada esquina escura de profundidade


E os olhos que sempre manifestam 
encheram-se d´água, mas com alegria esta vez 
Transbordava. 

Veio-lhe prosear um senhor de idade 
Pensou as estações da vida 
Ele falava saúde 
Solicitava olhos carinhosos e ouvidos atentos 
Soube ser prestativa. 

Pensou naquela carta 
Rito de passagem 
Pensou em tudo, mas por sensação 
Refletiu corpo e alimento 
Pensamento e vibração 

Sentiu gratidão 
E agradeceu todos que vieram auxílio 
Porque nunca havia gritado tão real e tão forte 
Lembrara da voz no mundo  
E de dizer palavras doces 

Pensou nele, pensou nela 
Pensou neles, pensou nós 
A roda ciranda girando 
Somos todos crianças 

Pensou prosseguir palavras, 
poéticas e sobretudo transmutar 

Sentiu-se mais perto um longo passo 
porque fora verdadeira.
Pensou humildade e troca 
E pensou silêncio. 

Digo que pensou tantas coisas 
Mas por um segundo  
que lhe invadiu como enchente 

Pensou resumir mas não sabia parar 
Até que uma formiga lhe mordeu o dedo 
Riu-se 

E lembrou de ouvir o canto do bem-te-vi e outros seres 
Já ganhara o dia, talvez uma vida toda nos pulmões 
Mas prenunciava recomeços, viagens e desafios 
Estava pronta. 


26.4.09


Remendo com não-palavras 
que poesia é mais vida que palavra 
porque tem vontade própria. 

Do que passou 
desata todos nós 
redime a todos nós 
em diluição 
porque também passaremos. 

Lealdade é como respeitar 
a transparência do que aparenta 
e sempre estar 
atento, meditativo. 

De forma que para enxergar o outro 
há de se apagar os olhos de si. 

Caso contrário, escorre 
o espelho se torna vazio de imagem 
e passa a rugir vaidade traiçoeira. 
Como a que seduz Narciso 
às águas fundas de um rio sagrado. 

Caso contrário, 
o que é possível encontro 
se torna repetição de qualquer coisa já vivida 
e não-presente, refletido em vão. 

...

Que mal nenhum me tome os olhos de certeza.
Para assim, livre de qualquer desvio
superar firme a armadilha da clareza. 

Porque não me é permtido 
dizer além do que o ouvido pode ouvir.
Coisas assim não devem jamais cair 
nas correntes tortas de vento sul.

Não é de bom tom 
tocar pontos que fogem ao alcance 
que escapam de escolha 
e que tocam outros pontos.
E não convém sair de si por atalhos tortuosos.
Ainda que necessário seja 
protejer-se à luz do sol .

Somente aceito, porque sou feita de sonhos.
 
A única ilusão que não cabe nos sonhos  
dos que recordam-se sonhadores 
é escapar a ilusão.

E conheço a estrada  
nos lampejos raios de luz trovãoque cortam os céus,
isso não me isenta porém,  
de tropeçar os pés  
nas sempre pedras do caminho.

três


Como se diz silêncio?

Como se diz silêncio.

Como se diz silêncio...